quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Homem, branco, hetero. E aí?

Cada negro que luta por seu direito de ser tratado como semelhante,
que luta contra uma história de preconceitos, de humilhação e de tortura,
de racismo e terrorismo
Me leva junto com ele

Cada mulher que batalha pra ser ouvida, pra ser enxergada
E para provar pra sociedade e para algumas religiões
Que é muito mais do que uma costela evoluída
Assim como qualquer outro ser humano,
Independente do sexo,
Me leva junto com ela

Cada homossexual que entra em um ônibus lotado
E tem a coragem e o peito aberto para mostrar ser exatamente quem é
Apesar das piadinhas e olhares curiosos e a certo ponto, invejosos,
Pois nem todos, ou quase ninguém,
Tem a coragem necessária para isso,
Me leva junto com ele(a)

Eu não sou de uma raça superior
Pra dizer a verdade, nem acho que exista uma
Talvez a miscigenação seja a mais bonita de todas

Eu também não me atraio por “Amélias”,
com certeza não quero “ter-possuir” uma mulher
Prefiro admirá-las, principalmente as com atitude
Não me incomodo nem um pouco de lavar a louça
E adoro crianças, bebês, sei cozinhar e fazer crochê

Eu não me incomodo em receber olhares de outros homens
E até mesmo cantadas, me soam como um elogio,
As que pareceram “agressivas” ou incômodas
Me fizeram perceber exatamente
Como eu não devo chegar em uma mulher
Ah e, sinceramente, também gosto da cor rosa e lilás, são bonitas

E qual batalha, ou o que resta pra mim, 
como homem, branco, heterossexual?
Agradecer.

Tenho somente a agradecer por vocês
Que lutam por seus direitos
Por me ajudarem a descer de um “trono invisível"
Que eu nunca quis sentar
Por me auxiliarem na desfragmentação de uma imagem
Que não é minha.

A minha luta,
acaba por ser algo mais interno, mais solitário
Desconstruindo-me por completo e, podendo assim,
Desprendido de preconceitos e ideias ultrapassadas,
Ser verdadeiramente livre
Ser, da forma mais franca, sensata e intensa,
Homem.


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