Os buracos dos tijolos na parede pareciam olhos, escancarados, atentos a cada movimento nosso. Aqueles gatos se esgueirando entre os carros e as latas de lixo não pareciam confiáveis. pareciam querer atrair a nossa atenção. E aquelas janelas? Todas elas. Mesmo as mais distantes, pareciam ocultar silhuetas curiosas a nos examinar, nos julgar e, até mesmo, nos invejar. Porque era o que eu sentia que o resto do mundo sentia de nós. Enquanto, naquele beco escuro, transformávamos aquela tensão estremecedora de pernas em um tesão de batimentos acelerados, respirações insuficientes e um prazer tão intenso quanto podíamos encontrar sem nos perder no caminho de volta.Um tesão daqueles que se pode sentir enraizado no último dos molares. Daqueles que nunca escolheu hora, nem lugar.
sábado, 26 de outubro de 2013
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Quem tem boca vai a roma. Será?
Eu não sei exatamente em que época essa frase foi criada, quem é o seu autor ou onde morava. Mas acredito que deve ter vivido muito próximo ou até mesmo na própria Roma, ou que pelo menos viveu numa época muito diferente da nossa atual. Hoje em dia, tenho diversos motivos pra acreditar que uma boca que não para de falar não leva a lugar nenhum, é insuportável e altamente previsível. Um par de ouvidos atentos e interessados, com certeza, são muito mais valiosos, porque vivemos em uma época em que as pessoas não são ouvidas.
Qual foi a última vez que você perguntou a alguém “Como você está?” de uma forma menos automática, menos mecânica, mais humana? Como quem realmente estava interessado em ouvir o que o outro tinha a dizer? E não como quem faz só esperando a sua hora de falar sem parar? Que tal se propor um desafio, um dia pra se tirar do centro do universo, um dia em que seus problemas não são os maiores, seus medos não são os mais terríveis e nem mesmo as suas paixões as mais intensas. Um dia pra se propor a simplesmente ouvir. Você verá um milagre acontecendo. Possivelmente não dirá uma palavra, mas quando sair dirão: “Nossa como esse rapaz(moça) é bom(boa) de conversa!”
Freud diz em seu livro “ O futuro de uma ilusão”, escrito há mais de cem anos, algo parecido com : “A humanidade não para de evoluir em sua dominação da ciência e da natureza, porém, no que diz respeito ao convívio social e no trato com o próprio ser humano, estagnou-se, e alguns casos piora cada vez mais”. E infelizmente, isso parece cair feito uma luva no mundo que vivemos, apesar de ter sido escrito há um século. Talvez porque o problema sempre parece algo distante, algo que deveria ser mudado pelos outros e não por nós. É engraçado perceber que para algumas coisas é necessário acreditar que a solução vem justamente do caminho inverso. De baixo pra cima, do um pro todo , do vizinho ao país inteiro.
Eu não sei ao certo se quem tem boca vai a Roma, mas se sim, quem tem um belo par de ouvidos vai á Júpiter. Isso porque saber escutar sempre vai ser uma dádiva, e não um sinal de fraqueza, falta de atitude ou submissão. Afinal, quem é cheio de si, transborda e exala a sua essência sem precisar sequer abrir a boca.
Qual foi a última vez que você perguntou a alguém “Como você está?” de uma forma menos automática, menos mecânica, mais humana? Como quem realmente estava interessado em ouvir o que o outro tinha a dizer? E não como quem faz só esperando a sua hora de falar sem parar? Que tal se propor um desafio, um dia pra se tirar do centro do universo, um dia em que seus problemas não são os maiores, seus medos não são os mais terríveis e nem mesmo as suas paixões as mais intensas. Um dia pra se propor a simplesmente ouvir. Você verá um milagre acontecendo. Possivelmente não dirá uma palavra, mas quando sair dirão: “Nossa como esse rapaz(moça) é bom(boa) de conversa!”
Freud diz em seu livro “ O futuro de uma ilusão”, escrito há mais de cem anos, algo parecido com : “A humanidade não para de evoluir em sua dominação da ciência e da natureza, porém, no que diz respeito ao convívio social e no trato com o próprio ser humano, estagnou-se, e alguns casos piora cada vez mais”. E infelizmente, isso parece cair feito uma luva no mundo que vivemos, apesar de ter sido escrito há um século. Talvez porque o problema sempre parece algo distante, algo que deveria ser mudado pelos outros e não por nós. É engraçado perceber que para algumas coisas é necessário acreditar que a solução vem justamente do caminho inverso. De baixo pra cima, do um pro todo , do vizinho ao país inteiro.
Eu não sei ao certo se quem tem boca vai a Roma, mas se sim, quem tem um belo par de ouvidos vai á Júpiter. Isso porque saber escutar sempre vai ser uma dádiva, e não um sinal de fraqueza, falta de atitude ou submissão. Afinal, quem é cheio de si, transborda e exala a sua essência sem precisar sequer abrir a boca.
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
Vezemquando
Enquanto eu mesma me abraçava,
Ou pelo menos tentava,
Com um abraço forte e cerrado
Você, como uma serpente
Esgueirou-se entre mim e meus braços
Ocupando aquela fresta sem dono
E me mostrou que eu jamais seria forte o bastante
Pra abraçar a mim mesma
Da mesma forma que abraçaria a você
Enquanto eu buscava nos bons vinhos
Toda aquela torpe sensação
De poder, por um momento,
Flutuar entre o certo e o errado
Sem qualquer julgamento
Meu ou de outrem,
Você me deixou provar do teu gosto
E me fez perceber que,
Entorpecida, de fato,
Eu nunca havia estado
Enquanto eu buscava fugir
E corria, sem olhar pra qual direção
Você me estreitava às estradas
E me dizia sempre pra seguir em frente
Sem olhar pra trás.
E as sinalizou, indicando pra onde
Eu fosse ao teu encontro.
E, agora, diz querer me deixar...
Não percebes que sem você
Eu sou só uma mulher a andar por aí
Distribuindo frouxos abraços,
Seguindo por ruas confusas
E sem sequer poder me embebedar,
Como outrora?
Não sei se vai.
Mas, se for o que quer,
Digo-te que vá...
Que vá e que não volte nunca mais!
Mas antes,
Deixe-me dizer algo sobre meus “nunca mais”...
Vezemquando,
Eles duram menos do que cinco minutos.
E quando se tratar de nós
Ou ainda,
Tratar-se também
De partidas ou despedidas,
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