Fico me perguntando
Sobre a história por trás de cada poesia.
Elas são sempre mais interessantes
Do que o resultado,
Mas quem a escreve
Sempre guarda pra si, afinal,
Quem quer saber de rascunhos?
E a história por trás de cada vida?
Aos poucos vamos nos tornando,
Ou nos conformando,
Com o fato de que somos apenas
Uma arte final perambulando por aí.
Uma obra-prima de nós mesmos.
Pronta pra ser interpretada
Através de cada olhar,
Nos espremendo pra passar
Por cada filtro.
No fim das contas não somos mais um só,
Somos mil.
Quando me perguntou:
E aquele poema foi pra mim?
Eu só pude dizer: Talvez.
Um poema ou um verso tem mil faces
Quando não explicado.
Se torna imortal.
Ou melhor,
Está acima da vida e da morte.
Nasce e renasce com cada olhar que o toca,
Com cada ouvido que o sente
E com cada boca que o vê.
Tudo trocado,
Mas nós somos assim mesmo,
Tudo enrolado.
Para todos que me vêem
Sou apenas un gran finale.
Mas algum dia,
Nós ainda nos sentaremos no chão,
No canto de uma sala qualquer
Apenas com as nossas lixeiras,
Aquelas onde jogamos
Todos os nossos rascunhos.
E então seremos nós dois,
Desamassando todo aquele papel,
Repleto de sofrimento,
De desejos,
Devaneios sem sentido,
E alegrias sem motivo.
Sem dúvida,
Em algum desses papéis
Há de haver algum amor.
Daqueles que só é capaz de encontrar
Quem teve a coragem
De revirar o lixo,
De trazer à tona
Os rascunhos
Que nunca estão sobre os holofotes.
Os rascunhos
De uma vida inteira,
Que realmente importam
Afinal,
A vida é muito mais rascunho
Do que arte final.
segunda-feira, 31 de março de 2014
terça-feira, 11 de março de 2014
Não é só passo
Tens um olhar lindo enquanto dança,
Não pude deixar de notar
Teus olhos funcionavam como meu eixo
Por mais que tudo girasse,
se desencontrasse e se perdesse,
meus olhos não queriam perder os teus.
Não podiam.
Não deviam.
Sempre atenta, concentrada em mim.
Totalmente tomada,
Não para com os meus hábitos à mesa
Na hora do almoço,
pro carro que dirijo
Ou pro modo como me visto.
Somente pro meu corpo
Pra onde a conduzo,
Pro modo como te desejo
Era como se o mundo
virasse do avesso,
e o palco não fosse mais perante a plateia,
mas sim, atrás das cortinas.
Num lugar só nosso
onde não há uma só crítica,
atenta aos nossos deslizes e gracejos,
um lugar onde exista apenas dois corpos,
suados, envoltos, encaixados
Pulsando, juntos
Sem nenhum repulsaSem qualquer pudor
A música termina,
e como um sol se pondo,
as cortinas se erguem
e nos devolvem à realidade.
Beijo seu rosto,
me despeço
e sigo para o outro canto do salão.
Paro por um segundo
para tentar lembrar seu nome,
e tentar me lembrar do aroma
tão adocicado do seu pescoço
Dança, não é só passo.
Talvez seja um universo
que nos devolva tudo aquilo que,
pela vida, nos foi tirado
É caso de amor com o seu outro lado
É aquele braço tão disposto,
firme,
Em que você tantas vezes
quis se deixar levar
É a possibilidade
de se apaixonar
cada vez que a música começa
E, se ela dura tão pouco,
É preciso que seja intenso
É preciso que seja pra sempre,
Até que a música acabe
Mas não há tempo para considerações
nem devaneios
A música vai começar de novo
E eu,
preciso me apaixonar novamente.
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