terça-feira, 3 de setembro de 2013

Por entre a poeira

O que tu pensas que és, 
Na verdade, 
és leve brisa passageira
que já se foi, 
mas deixou seu aroma no ar. 
O que tu diz ser, 
e diz à todos, 
sempre seguido de batidas contra o peito, 
não passa de um trem 
que já descarrilhou e se desgovernou, 
e não tem como saber qual seu destino 
antes de chegar ao ponto final. 
Tudo aquilo que afirmas ser, 
não passa de uma memória 
guardada na mente de um corpo 
em constante movimento 
que piscou seus olhos, 
e quando os abriu, 
já não estava mais onde pensava. 
Porque teu prazer 
não está em construir. 
E nem propriamente na destruição. 
Mas sim, 
em sentir os olhos cegos 
com a poeira do que recém desmoronou, 
sem poder ver se o próximo passo 
será em falso ou não. 
E somente neste momento, 
tú és tú, verdadeiramente.





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