Enquanto eu mesma me abraçava,
Ou pelo menos tentava,
Com um abraço forte e cerrado
Você, como uma serpente
Esgueirou-se entre mim e meus braços
Ocupando aquela fresta sem dono
E me mostrou que eu jamais seria forte o bastante
Pra abraçar a mim mesma
Da mesma forma que abraçaria a você
Enquanto eu buscava nos bons vinhos
Toda aquela torpe sensação
De poder, por um momento,
Flutuar entre o certo e o errado
Sem qualquer julgamento
Meu ou de outrem,
Você me deixou provar do teu gosto
E me fez perceber que,
Entorpecida, de fato,
Eu nunca havia estado
Enquanto eu buscava fugir
E corria, sem olhar pra qual direção
Você me estreitava às estradas
E me dizia sempre pra seguir em frente
Sem olhar pra trás.
E as sinalizou, indicando pra onde
Eu fosse ao teu encontro.
E, agora, diz querer me deixar...
Não percebes que sem você
Eu sou só uma mulher a andar por aí
Distribuindo frouxos abraços,
Seguindo por ruas confusas
E sem sequer poder me embebedar,
Como outrora?
Não sei se vai.
Mas, se for o que quer,
Digo-te que vá...
Que vá e que não volte nunca mais!
Mas antes,
Deixe-me dizer algo sobre meus “nunca mais”...
Vezemquando,
Eles duram menos do que cinco minutos.
E quando se tratar de nós
Ou ainda,
Tratar-se também
De partidas ou despedidas,

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