Os buracos dos tijolos na parede pareciam olhos, escancarados, atentos a cada movimento nosso. Aqueles gatos se esgueirando entre os carros e as latas de lixo não pareciam confiáveis. pareciam querer atrair a nossa atenção. E aquelas janelas? Todas elas. Mesmo as mais distantes, pareciam ocultar silhuetas curiosas a nos examinar, nos julgar e, até mesmo, nos invejar. Porque era o que eu sentia que o resto do mundo sentia de nós. Enquanto, naquele beco escuro, transformávamos aquela tensão estremecedora de pernas em um tesão de batimentos acelerados, respirações insuficientes e um prazer tão intenso quanto podíamos encontrar sem nos perder no caminho de volta.Um tesão daqueles que se pode sentir enraizado no último dos molares. Daqueles que nunca escolheu hora, nem lugar.

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