Fico me perguntando
Sobre a história por trás de cada poesia.
Elas são sempre mais interessantes
Do que o resultado,
Mas quem a escreve
Sempre guarda pra si, afinal,
Quem quer saber de rascunhos?
E a história por trás de cada vida?
Aos poucos vamos nos tornando,
Ou nos conformando,
Com o fato de que somos apenas
Uma arte final perambulando por aí.
Uma obra-prima de nós mesmos.
Pronta pra ser interpretada
Através de cada olhar,
Nos espremendo pra passar
Por cada filtro.
No fim das contas não somos mais um só,
Somos mil.
Quando me perguntou:
E aquele poema foi pra mim?
Eu só pude dizer: Talvez.
Um poema ou um verso tem mil faces
Quando não explicado.
Se torna imortal.
Ou melhor,
Está acima da vida e da morte.
Nasce e renasce com cada olhar que o toca,
Com cada ouvido que o sente
E com cada boca que o vê.
Tudo trocado,
Mas nós somos assim mesmo,
Tudo enrolado.
Para todos que me vêem
Sou apenas un gran finale.
Mas algum dia,
Nós ainda nos sentaremos no chão,
No canto de uma sala qualquer
Apenas com as nossas lixeiras,
Aquelas onde jogamos
Todos os nossos rascunhos.
E então seremos nós dois,
Desamassando todo aquele papel,
Repleto de sofrimento,
De desejos,
Devaneios sem sentido,
E alegrias sem motivo.
Sem dúvida,
Em algum desses papéis
Há de haver algum amor.
Daqueles que só é capaz de encontrar
Quem teve a coragem
De revirar o lixo,
De trazer à tona
Os rascunhos
Que nunca estão sobre os holofotes.
Os rascunhos
De uma vida inteira,
Que realmente importam
Afinal,
A vida é muito mais rascunho
Do que arte final.
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