terça-feira, 11 de março de 2014

Não é só passo

Tens um olhar lindo enquanto dança, 
Não pude deixar de notar 
Teus olhos funcionavam como meu eixo
Por mais que tudo girasse, 
se desencontrasse e se perdesse,
meus olhos não queriam perder os teus. 
Não podiam. 
Não deviam.

Sempre atenta, concentrada em mim. 
Totalmente tomada, 
Não para com os meus hábitos à mesa
Na hora do almoço, 
pro carro que dirijo 
Ou pro modo como me visto. 
Somente pro meu corpo
Pra onde a conduzo, 
Pro modo como te desejo

Era como se o mundo 
virasse do avesso, 
e o palco não fosse mais perante a plateia, 
mas sim, atrás das cortinas. 
Num lugar só nosso 
onde não há uma só crítica, 
atenta aos nossos deslizes e gracejos, 
um lugar onde exista apenas dois corpos, 
suados, envoltos, encaixados
Pulsando, juntos
          Sem nenhum repulsa
          Sem qualquer pudor
          
A música termina, 
e como um sol se pondo, 
as cortinas se erguem 
e nos devolvem à realidade. 
Beijo seu rosto, 
me despeço 
e sigo para o outro canto do salão. 
Paro por um segundo 
para tentar lembrar seu nome, 
e tentar me lembrar do aroma 
tão adocicado do seu pescoço

Dança, não é só passo.
Talvez seja um universo 
que nos devolva tudo aquilo que,
pela vida, nos foi tirado
É caso de amor com o seu outro lado
          É aquele braço tão disposto,
          firme,
          Em que você tantas vezes 
          quis se deixar levar

          É a possibilidade
          de se apaixonar 
          cada vez que a música começa

          E, se ela dura tão pouco,
          É preciso que seja intenso
          É preciso que seja pra sempre,
          Até que a música acabe

Mas não há tempo para considerações 
nem devaneios 
A música vai começar de novo

E eu, 
preciso me apaixonar novamente.







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