sexta-feira, 15 de agosto de 2014
olhar
Enquanto os homens, de forma desinteressada e quase que mecânica, questionam-se sobre o que querem as mulheres, seguido pela covarde constatação de essa ser uma pergunta sem resposta, ao lado de outros já conhecidos questionamentos de semelhante fim (qual o sentido da vida?), elas, por sua vez, parecem já saber exatamente o que os homens querem, e se encontram entediadas pela falta de mistério e de olhares. Não mistério de conto infantil, mas o de um simples e confiante "não saber" que permeia a imaginação, porque é lá onde o universo feminino acontece. Um "não saber" que arrasta pela mão e as coloque na garupa sem dizer pra onde vai. Não de um olhar limitado, previsível, aprisionante, mas de um olhar quase neutro, de caçador. Que não capture imagens estáticas e preguiçosas (elas são assim, elas são assado), que chega sem pedir licença. Que reinventa a cada novo foco. Olhar fixo e vazio, onde é possível sentir-se dentro. Onde seja possível, até mesmo, viver.
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