sexta-feira, 8 de agosto de 2014

ruína

Hoje,
não quero sentir a superficialidade
da tua pele, nem o perfume
que nela carrega.

Não quero a tinta que a maquia,
nem a roupa que a esconde.
Hoje,
quero tua carne, na minha.

Poder tragar o fedor
do teu canto mais obscuro,
bater em tua face mais sórdida
e me tatuar com as marcas
das tuas garras felinas.

Adentrar,
feito cazuza,
pelas portas escancaradas
de tuas feridas.

Quero tua saliva,
teu cuspe misturado ao meu,
teu suor salgando a minha língua
quero essa porra toda,
hoje.

Quero tuas lágrimas em minha roupa,
tuas sobras em minha boca
e te quero sem voz,
te quero rouca.

Quero teus problemas banais,
casuais
e existenciais.

Lamber teu amargo,
brindar tuas dores,
em teu olhar poder sentir maldade,
e desarmá-la.

Do teu movimento desordenado
fazer inércia,
e desaguá-la.

Hoje, quero todo
o seu lixo,
toda sua podridão.

Quero
toda a sua ruína,
em mim.



Nenhum comentário:

Postar um comentário