não quero sentir a superficialidade
da tua pele, nem o perfume
que nela carrega.
Não quero a tinta que a maquia,
nem a roupa que a esconde.
Hoje,
quero tua carne, na minha.
Poder tragar o fedor
do teu canto mais obscuro,
bater em tua face mais sórdida
e me tatuar com as marcas
das tuas garras felinas.
Adentrar,
feito cazuza,
pelas portas escancaradas
de tuas feridas.
Quero tua saliva,
teu cuspe misturado ao meu,
teu suor salgando a minha língua
quero essa porra toda,
hoje.
Quero tuas lágrimas em minha roupa,
tuas sobras em minha boca
e te quero sem voz,
te quero rouca.
Quero teus problemas banais,
casuais
e existenciais.
Lamber teu amargo,
brindar tuas dores,
em teu olhar poder sentir maldade,
e desarmá-la.
Do teu movimento desordenado
fazer inércia,
e desaguá-la.
Hoje, quero todo
o seu lixo,
toda sua podridão.
Quero
toda a sua ruína,
em mim.

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