quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Gravidade

Dignidade para comer,
Morar, vestir-se
Dignidade ao sonhar,
Ao sorrir, ao despir-se
Sejamos dignos!
Disseram...

Mas quando a gente se enrosca a alguém,
Literalmente falando,
Quando entre as coxas não passa um fio
E há entre os lábios um rio
A gente nota que não nasceu pra amar alguém
De forma assim tão digna

Na verdade, queremos passividade
Pathos, do grego
Queremos dar o sinal, subir e dormir
Com a cabeça confortavelmente recosta ao vidro
Babando, amando.

Sem lutas,
Sem desafios,
Sem evolução.

Querer negar a mim mesmo, você
É tão possível quanto,
De corpo nu,
Vencer a gravidade

Quanto mais longe eu te lançasse
Com mais força você retornaria
Destruindo tudo em mim
Me mostrando quão fraco meu abraço,
Essa mistura embaralhada de braço, calor e amasso
Ainda pode ser

Porque o meu peito está gravitado ao seu
E o fundo obscuro dos nossos olhos
Ainda está em chamas
Queimando de raivosa doçura
Lutar contra essa gravidade nos fortalece
Querer vencê-la
Nos enlouqueceria

Sejamos realistas,
Não podemos vencê-la,
Não podemos conter um incêndio.
Lutemos,
Mas por favor,
Não sejamos loucos




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