segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Utopia

     Gosto da sensação de expectativa
     Que sentir os olhos fechados
     Em nossa montanha russa me causa.
     Esse pequeno lapso temporal
     Onde não se sabe se vai continuar subindo
     Ou começar a despencar
     Sentir a tua suada mão buscar abrigo
     Agarrando-se a minha
     É como éter no ar

     Eu despencaria cortante
     Por dentro de você

     Carrego em minha boca uma utopia amarga
     Que já foi chamada sonho
     E eu a cuspiria pra dentro da tua
     Misturar o amargo ao azedo
     Depois lamber os beiços
     Pra numa frenética dança de línguas
     Que não sabem da onde vem nem pra onde vão
     Livrar-se do peso da perfeição

     Se não se pode ter um dia de descanso
     (Ou uma vida inteira)
     Sentado à beira-mar
     Catalogando prazeres
     Degustando emoções
     Por quê, pra que tantas perfei(o)ções?

     Na gostosa banalidade da vida,
     Varrida pra baixo do tapete,
     Todo amor é barato
     E pode ser encontrado ali na esquina
     Todo amor é ordinário, espontâneo, safado
     Todo amor é indigno
     do romantismo que lhe cabe

     Ainda bem.





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