Gosto da sensação de expectativa
Que sentir os olhos fechados
Em nossa montanha russa me causa.
Esse pequeno lapso temporal
Onde não se sabe se vai continuar subindo
Ou começar a despencar
Sentir a tua suada mão buscar abrigo
Agarrando-se a minha
É como éter no ar
Eu despencaria cortante
Por dentro de você
Carrego em minha boca uma utopia amarga
Que já foi chamada sonho
E eu a cuspiria pra dentro da tua
Misturar o amargo ao azedo
Depois lamber os beiços
Pra numa frenética dança de línguas
Que não sabem da onde vem nem pra onde vão
Livrar-se do peso da perfeição
Se não se pode ter um dia de descanso
(Ou uma vida inteira)
Sentado à beira-mar
Catalogando prazeres
Degustando emoções
Por quê, pra que tantas perfei(o)ções?
Na gostosa banalidade da vida,
Varrida pra baixo do tapete,
Todo amor é barato
E pode ser encontrado ali na esquina
Todo amor é ordinário, espontâneo, safado
Todo amor é indigno
do romantismo que lhe cabe
Ainda bem.

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