sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Não seja você

Quando as discussões surgirem
não se prenda aos fatos, eles não importam. 
Me tome nos braços, tire-me pra dançar, 
seja meu cantor, meu dançarino e a nossa platéia. 
Eu quero sua intenção mais profunda,
não explicações ou desculpas esfarrapadas. 

Me ofereça, às vezes, o que eu nunca quis. 
Diga-me aquilo que nunca ouvi 
tenha o gosto que nunca provei. 
Seja inabalável e impenetrável 
como uma comporta que suporta o meu oceano, 
seja acessível e permissivo 
como uma porta de botequim que nunca se recusa, 
sempre aberta a confortar mágoas, 
Seja do mais sujo, seja do mais velho, do mais bêbado. 

Elogie-me. 
No que mais gostar em meu corpo, uma vez ao dia. 
No que não gostar, três. 
Me transborde, não me engesse, não me amarre, 
não me impeça. 
Simplismente deixe-me fluir, 
e quando me tornar infinita 
não me peça para estar pronta em quinze minutos. 

Não tenha pressa ao tirar minha roupa, 
antes disso tire minhas camadas, uma por uma. 
São nelas que escondo meus medos. 
Primeiro aquele bem bobo, de não ser boa o suficiente. 
Depois o de me entregar, de amar novamente, 
e por último o de não ser abandonada jamais. 
Não prometa que não vai me abandonar, 
porque talvez você não possa cumprir. 

Porém pra isso há um solução.
Quando nossos corpos estiverem perdidos 
um no do outro,
e os pulmões acelerados furtarem-se de ar, 
apenas me abrace forte e deixe o seu coração golpear o meu. 
Palavras podem ser terríveis, 
mas eu jamais tiraria satisfações por um abraço apertado.  

Não seja agressivo, 
não seja egoísta, 
Abra mão de si mesmo. 
Não seja você, seja o amor. 
E me ofereça a cada instante de sua vida. 

Não me dê sugestões, 
eu não quero conselhos.
Não me aponte caminhos ou direções, 
apenas me dê a mão e caminhe comigo.
Me leve com você.




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