Quando pequeno tudo me era permitido
A caixa de papelão podia voar
E, de fato, voava
A vida não tinha paredes
Tinha horizontes
A idade veio
E os limites, antes inalcançáveis
Deram lugares a paredes
Cobertas com delicadas
Porém espessas cortinas
Dispostas sobre janelas,
Cabe dizer,
Cada vez menores
Até que me vem você
E sorri
Não me permite entender,
Assimilar, rotular
Apenas sorri
E junto com o leve descolar de seus lábios
Desvenda,
Por trás daquelas tão pesadas cortinas
Grandiosas janelas
Janelas de onde eu posso
Novamente,
Enxergar um horizonte
Não mais inalcançável
Horizonte que,
Caso queira,
Posso percorrê-lo
De ponta à ponta
De uma covinha a outra
Bastando apenas que você sorria

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