domingo, 1 de março de 2015

Horizonte

Quando pequeno tudo me era permitido A caixa de papelão podia voar E, de fato, voava A vida não tinha paredes Tinha horizontes A idade veio E os limites, antes inalcançáveis Deram lugares a paredes Cobertas com delicadas Porém espessas cortinas Dispostas sobre janelas, Cabe dizer, Cada vez menores Até que me vem você E sorri Não me permite entender, Assimilar, rotular Apenas sorri E junto com o leve descolar de seus lábios Desvenda, Por trás daquelas tão pesadas cortinas Grandiosas janelas
Janelas de onde eu posso
Novamente,
Enxergar um horizonte
Não mais inalcançável


Horizonte que,
Caso queira,
Posso percorrê-lo
De ponta à ponta
De uma covinha a outra

Bastando apenas que você sorria




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