Dá vontade de fazer chover.
Pra poder ver seus pelos ouriçados, orvalhados de suor.
E depois da chuva
respirar bem fundo
a sua pele sem perfume nenhum,
deixar os pulmões plenos de ar
com seu cheiro de mulher fértil,
que dá asas a imaginação pra que ela voe pra onde quiser.
Dá vontade de ver seus braços enraizando no meu corpo,
centímetro por centímetro,
buscando nele seu alimento e,
ao mesmo tempo, nutrindo-o.
Dá vontade sim,
de te observar contra luz do sol
admirar as oito cores do espectro refletidas nos seus traços
reluzindo nos seus olhos.
Dá vontade de tanta coisa,
mas não precisamos de pressa,
nós temos tempo.
Não o tempo do calendário,
que regula os dias através do nascer
E do pôr-do-sol,
que nada mais é que um mero
piscar de olhos da natureza.
Mas um tempo regido pela nossa capacidade de perceber detalhes, de sentí-los, vivenciá-los.
Algumas coisas são atemporais
E não estão sujeitas ao relógio
Preso à parede.
Uma delas é o modo como te admiro enquanto te confundo
com a própria natureza
e faço caber algumas vidas em cada toque, em cada suspiro, em cada palavra.

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