O melhor homem que eu conheci me amava como quem sai pra caminhar sem rumo em um ensolarado fim tarde de domingo, a lá Caetano, sem lenço e sem documento, apenas aproveitando cada descoberta, cada sorriso, cada delícia, não buscando chegar a lugar algum. Não havia destinos que não pudessem ser alterados, nem objetivos que não fosse nós dois. A única coisa que importava era a minha companhia. Se me levasse ao céu ele estaria ali, se fossemos ao inferno, também.
Quando não se tem um destino final, um objetivo a ser focado, podemos enfim nos tranquilizar e aproveitar o caminho. Quando não estamos focados em seguir a trilha, podemos nos desprender e nos aventurar mata adentro. Cada imprevisto, então, se torna um novo motivo pra sorrir, para apreciar e conhecer a si mesmo.
Viagens não são feitas de destinos finais. Sexo não é feito de orgasmo. Lutas não são feitas de conquistas.
E ele sempre me dizia, em meio a falta de ar e aos suspiros de uma noite de amor:
- Perca o foco mulher, perca o foco! E aproveite a vida!
Me fez entender que a parte mais gostosa de duas pessoas juntas, é o descobrimento mútuo. É embarcar nessa viagem se deliciando com cada situação, cada imprevisto, cada brilho no olho, cada lágrima e decepção. E não viajar com os olhos vendados pelo objetivo final. Às vezes é preciso dar o sinal e simplesmente descer do ônibus.
Me fez perceber que cada vez que nos abrimos e nos entregamos para conhecer o outro, acabamos conhecendo e mergulhando dentro de nós mesmos.
O melhor homem que eu conheci me amava como se eu fosse um agradável caminho. Caminho pra onde? Pra lugar algum! Isso é a vida! E me dizia sempre:
- Vá viver... ou melhor, Vem viver!

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