quinta-feira, 15 de agosto de 2013
"Deitado em seu canto, que incluía não muito mais do que um papelão, um cobertor e um cachorro fedido. Em um estado de semi consciência, semi plenitude, semi ele mesmo. Pensamentos desvariam-se. Longe do aconchego da sensação de pertencer a si mesmo. Sem lapso temporal entre ser e estar. Porém sem fuga, sem medo. Até que ele sente-se imóvel. Imobilizado pela coragem inconsequente de experimentar o desconhecido. Sua saliva congela em sua boca, os músculos de sua barriga se contraem. O barulho de sua respiração, contida involuntariamente, só não é mais desesperada do que o chacoalhar fíbrilo do seu coração. Sua boca treme compulsiva e assustadoramente. A cada esvaziar de seu peito a idéia assustadora de que ele não seria expandido pelos seus pulmões novamente o assombra, e causa medo. Mas seus olhos fechados enxergavam mais do que a mais tenaz das águias. E em um segundo tudo isso desaparece. Sem mais exemplos e explicações. Tudo. E ele sente cada poro, cada veia, cada vácuo, ser preenchido por si mesmo. Sente-se completo. E então, finalmente adormece."
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