quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Choque térmico

"Talvez eu tenha a conhecido em algum canto
 Jogada em alguma esquina
 Ou em alguma mesa de bar.
 Desiludida, desamparada, perdida,
 Nadando em seu próprio rio salgado
 Sem fôlego, nem ar
 Sem motivos pra dizer sim
 E sem forças pra dizer não.
 Se ela precisar de mim algum dia
 Talvez eu lhe estenda as mãos novamente
 E os pés, as pernas, o corpo todo
 Se não for eu quem vai salvá-la,
 Então que me afunde junto com ela
 Pra onde quer que seja.
 Junto com seus olhos lindos, porém frios
 Que em nada se parecem com seus lábios,
 Quentes e carnudos. Um choque térmico de tesão.
 Ela me fita com desejo, me come com os olhos
 E me beija com desprezo.
 Um desprezo nojento e ao mesmo tempo delicioso
 Ela oscila entre o muito e o pouco,
 Entre o tudo e o nada
 Entre o me bate, me chupa e o me larga.
 Seria enlouquecedor se não fosse tão gostoso
 Se não fosse tão intenso
 Se não fosse tão ela."




Nenhum comentário:

Postar um comentário