"Talvez eu tenha a conhecido em algum canto
Jogada em alguma esquina
Ou em alguma mesa de bar.
Desiludida, desamparada, perdida,
Nadando em seu próprio rio salgado
Sem fôlego, nem ar
Sem motivos pra dizer sim
E sem forças pra dizer não.
Se ela precisar de mim algum dia
Talvez eu lhe estenda as mãos novamente
E os pés, as pernas, o corpo todo
Se não for eu quem vai salvá-la,
Então que me afunde junto com ela
Pra onde quer que seja.
Junto com seus olhos lindos, porém frios
Que em nada se parecem com seus lábios,
Quentes e carnudos. Um choque térmico de tesão.
Ela me fita com desejo, me come com os olhos
E me beija com desprezo.
Um desprezo nojento e ao mesmo tempo delicioso
Ela oscila entre o muito e o pouco,
Entre o tudo e o nada
Entre o me bate, me chupa e o me larga.
Seria enlouquecedor se não fosse tão gostoso
Se não fosse tão intenso
Se não fosse tão ela."

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